Imagine a figura altiva. Um metro e oitenta de altura. Olhar de tigre. Chapelão de aba larga. Pinta de candidato a prefeito da cidade. Promessa de moralidade.
Durante três anos o postulante a herói atuou intensamente nas redes sociais. Bateu na gestão municipal sem dó nem piedade. Tinha solução para tudo e mais um pouco.
Mas, por um golpe do destino, aquele protagonista se viu desempregado. Num país injusto como o Brasil, mesmo um homem instruído cai em desespero.
Eis que uma mente ardilosa, a mais ardilosa da cidade, um olhar oportunista que tudo vê e espreita não perde a chance e sugere ao prefeito: “contrata ele.”
Claro que a historinha acima é mera ficção e qualquer coincidência é só coincidência. Mas, essa ilustração se encaixa bem na política atual das pequenas cidades.
Em Serra Branca, a prefeitura é a principal força eleitoral. Sempre foi e tanto é assim que nas eleições municipais de 2016 saíram duas candidaturas das entranhas do governo.
A eleição de Souzinha em 2016 começou a ser desenhada em 2012, quando o então prefeito Eduardo Torreão foi reeleito.
O vereador Kleber Ribeiro, que entende das coisas, dizia: “Dudu foi reeleito com Souzinha dando as coisas ao povo e o governo calando o debate nas rádios.”
O PT, perdera mais uma eleição e dizia que a candidatura de Alda Dias e Celeste, com o apoio do vice-prefeito Guilherme Gaudêncio, deu a vitória a Eduardo Torreão.
A história se repete. O prefeito é candidato à reeleição. De dentro do governo o vice-prefeito racha e apoia uma terceira candidatura, que pode ser ele próprio em pessoa.
A história tem mais do mesmo. O vereador Kleber Ribeiro está lá outra vez, ao lado do prefeito como seu fiel escudeiro, porta-voz, seu estrategista.
A mesmíssima história. Os partidos de esquerda não conseguem uma aliança mais ampla, como em 2008 e vê o eleitorado de oposição dividido entre duas alternativas.
A máquina da prefeitura à disposição. Um comitê de quatrocentas pessoas contratadas ou penduradas na prefeitura. Um braço direito do porte de Kleber barros. Três chapas à vista.
O prefeito Souzinha está no jogo. Com três candidaturas majoritárias o prefeito parte na frente, com algumas vantagens, entre elas as indefinições no PT e no PSDB.
Só tem um porém: Ninguém quer ser vice-prefeito na chapa de Souzinha. Nem mesmo o seu fiel pensador, o seu mentor intelectual, o vereador Carlos Kleber Ribeiro Barros.
Só tem um entretanto: O prefeito Souzinha não consegue, a essa altura do calendário político dar uma cara ao governo, um perfil convincente, uma marca palpável.
Só tem um todavia: O governo está sendo acusado pelo PT de ter feito o maior rombo possível nas contas do IPSERB e rifou o futuro dos servidores municipais, e isso pesa.
De todos os contudos, no entanto, o que mais pesa contra Souzinha é a expectativa de derrota iminente. Ou Kleber Ribeiro aceita ser o vice, ou nem Kleber acredita.
Sandoval Vieira
