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SERRA BRANCA 2020 – QUEM É O CENTRÃO? NINGUÉM É DE DIREITA?

O Brasil é profundamente fértil na criação de conceitos para a pantanosa, movediça e escorregadia dinâmica política. São tantos arranjos, arrumações e conchavos que as noções clássicas não dão conta da realidade nacional.

Por exemplo, no Brasil da era Bolsonaro, o Centrão é exatamente o mesmo pessoal que esteve desde sempre no poder central desde a Ditadura Militar até o governo Lula e que perdeu espaço no governo Dilma Roussef.

Para que você possa entender melhor, o Centrão atual autodenominava-se como o centro político num espectro que tem a direita política e esquerda política nos extremos.

Dando nome a bois e vacas, sem pormenores ideológicos e programáticos, o “Centrão” no Brasil é numeroso grupo político fisiológico que serve a qualquer governo e que, barrado por Dilma Roussef derrubou-a do poder.

Atualmente o termo “Centrão” tem duplo sentido. Para os mais de duzentos deputados e algumas dezenas de senadores, Centrão significa positivamente o numeroso grupo de parlamentares, decisivos para o governo.

Para as mentes mais críticas, Centrão é alcunha pejorativa e quer dizer oportunismo, fisiologismo, politicagem e chantagem, do quilate de Rodrigo Maia (DEM) e Davi Alcolumbre (DEM).

Com outra semântica, segundo me consta, a sigla “Centrão” foi transplantada para Serra Branca pelo professor de história Jeferson Aleixo Xavier, para designar o grupo político que nem é do PT e nem está atualmente no partido do prefeito Souzinha.

Segundo Jeferson Aleixo, o “Centrão” seria composto pelo vice-prefeito Joda Zuza e pelos vereadores Paulo Sergio Araújo, Walber Pinto, Diógenes, Hercules Holanda e Maria Valdete.

O nome pegou como um imã e atraiu mais e mais figuras da política local, a bem da verdade, por causa da abnegada capacidade de articulação do vice-prefeito Joda Zuza que não parou nem para o coronavírus.

O vice-prefeito de Serra Branca atraiu para o Centrão quase todas as figuras decisivas para eleição de Souzinha em 2016, a exceção do vereador Carlos Kleber Ribeiro Barros.

Mas, Joda Zuza não parou por aí e foi buscar lideranças do PR, do porte do ex-vereador Flávio Torreão, os dois vereadores da legenda e os suplentes, todos agora no PSDB, o nome oficial do grupo.

Assim como Flavio Torreão, também foi para o Centrão Janeide Franco, outrora primeira dama no longevo mandato, de dezesseis anos, de Eduardo Torreão e isto nos diz muito.

Visto de outra forma, o vice-prefeito Joda Zuza levou para o Centrão lideranças políticas que um dia contribuíram decisivamente para eleger Eduardo Torreão várias vezes prefeito de Serra Branca

Quem hoje não é do Centrão? O prefeito Souzinha, o vereador Carlos Kleber Ribeiro Barros, antigos e fieis correligionários da chapa Eduardo Torreão e Joda Zuza em 2012.

Aqui cabe uma questão: O que diferencia o atual grupo de Joda Zuza e Eduardo Torreão (com Flavio Torreão, Hercules Holanda, Paulo Sergio Araújo, Walber Pinto, Maria Valdete e Diogenes) do grupo de Souzinha e Carlos Kleber Barros?

Uma leitura rigorosa da política de Serra Branca indica que o Centrão de hoje seria o que sempre foi, a força política mais tradicional do município, incluídos Souzinha, Kleber Barros, Dr. Agostinho Nunes, Dra. Alda Dias e Dr. Odívio.

Então, quem não é Centrão é o PT! Mas, o PT só ganhou uma eleição municipal em 2004, quando deslocou figuras do “centro”, a exemplo de Agostinho Nunes, Zé de Leidson, Normando Holanda e Luiz Gonzaga de Holanda.

Serra Branca tem apenas duas forças políticas: O Centrão de ontem e de hoje, a força mais forte, agora dividida pelo racha de Souzinha/Kleber versus Joda Zuza/Eduardo Torreão; e, o solitário PT.

Mais solitário do que o PT só o PDT de Guilherme Gaudêncio, que um dia foi do “centro”, saiu pela esquerda e hoje abomina as práticas políticas do Centrão.

É curioso como em Serra Branca ninguém se diz de “direita”, ninguém compra ou troca votos por “favores”, ninguém negocia apoios políticos. Vista assim, Serra Branca seria uma cidade progressista, não é mesmo?

Sandoval Vieira

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