Está semana um importante fato político teve a sua importância exatamente pelo fato de não ter sido importante, a live do vereador Guilherme Gaudêncio com Zizo Mamede.
A “audiência” da entrevista do vereador do PDT serra-branquense com o ex-prefeito foi das mais baixas. No melhor momento, 16 seguidores assistiam o bate-papo em tempo real.
Nem o PT local, que tem centenas de filiados e filiadas acompanhou o que Zizo Mamede tinha a falar, a bem da verdade, sobre educação e não sobre a política local.
Mesmo, assim, se dois adversários de outrora se encontram na rede de comunicação automática, isso deveria ser um acontecimento vultoso na política local.
O que explicaria a pouca atenção, até mesmo de petistas de Serra Branca, a uma entrevista daquele que até então era tido como a mais ouvida liderança do PT?
Arriscamos duas possibilidades para entender o desdém dos petistas com o ex dirigente e ex prefeito, ou ele prega no deserto, ou ele tornou-se um deserto.
Pregar no deserto é até um sinal de que está vendo o que as demais pessoas não querem ver. Estar deserto é não ter o que dizer. Há desafetos que o tratam como “moribundo”.
Uma possibilidade ou outra, o fato é que o Partido dos Trabalhadores em Serra Branca parece que está ficando estéril naquilo que mais valoriza na política: o discurso.
O PT em Serra Branca, e isso é uma raridade na Paraíba, é um dos poucos exemplos de competitividade eleitoral na esquerda em pequenos municípios.
Em nenhuma outra cidade da Paraíba o PT consegue durante tanto tempo disputar eleições majoritárias e proporcionais com a força eleitoral que tem em Serra Branca.
Petistas aqui gostam de enfatizar que não compram apoios políticos nem votos de eleitores e que voto mesmo só tem quem não compra votos, quem ganha “no gogó”.
Se o trunfo do PT era o discurso, o debate, a capacidade de convencimento a partir do diálogo, das entrevistas, dos textos escritos, agora isso parece em baixa no partido.
As pessoas parecem cansadas do palavreado petista. Já são várias eleições majoritárias sem que a oratória do PT faça o efeito eleitoral almejado pela legenda.
No período recente o PT, consciente ou inconscientemente, se calou, a exceção de Renan Mamede, o mais loquaz dos vereadores tupiniquins. O vereador Macilon não fala.
Ednaildo Saraiva fala ocasionalmente, assim como a atual presidenta da agremiação, a professora Cristina França. Zizo Mamede tem falas curtas nas redes sociais.
O professor Josenildo Gonçalves (Galeguinho da Serra), ex vereador e ex candidato a prefeito pelo PT, perdeu a língua durante três anos, certamente por não ter o que falar.
Atualmente, o PT de Serra Branca fala pouco e quando fala, ao que parece, poucos escutam. Talvez por isto tenham adotado a tática de calar.
Mas, o partido que não compra apoios, não compra votos e recusa-se a fazer promessas pessoais, se tinha apenas o discurso e resolve silenciar, o que tem a oferecer?
Sandoval Vieira
