Como estudantes e professoras estariam a essa altura da pandemia mundial se não fosse a classroom, o WhatsApp, o Meet, o Zoom? Fatalmente, dariam o ano letivo por perdido.
Tecnófilos e “nativos” estão exultantes com o uso das TICs para a educação a distância. Tecnófobos suam frio, desconcertados, sem chão sob os pés.
Os defensores dos usos das tecnologias da informação e da comunicação na escola estão surfando na onda das plataformas virtuais e das aulas remotas. – Estudantes nem tanto.
Com as TICs, são inúmeras as possibilidades, desde a simples postagem dos mais variados textos, passando por vídeo-aulas, lives, músicas e cinema para as aulas virtuais.
Você pode viajar e, do seu quarto, visitar um museu de Paris, caminhar pela Muralha da China, ir a Wall Street, navegar do Pantanal ao rio Amazonas e ir além do sistema solar.
Pilote um carro de Fórmula 1, pegue carona nos isótopos do urânio, entre no átomo de carbono, escorregue nos tobogãs das artérias, ou simplesmente repouse num eixo de plano cartesiano 3D.
Arrisque-se pelos caminhos do coração e perca-se nas conexões do cérebro, mas, não esqueça que de amores se fala melhor com arte, música, romance e poesia.
Se sofisticação for o caso, perca-se nas horas entre as estantes da Biblioteca Nacional, na secção das filosofias e do pensamento social. – Está tudo lá!
(Nesse meio tempo, o mundo acompanha, sem muita surpresa, notícias online de mais um passo na conquista do espaço, com uma nova nave tripulada acoplando na Estação Orbital).
Aqui embaixo professores reaprendem o ofício milenar, porque a sala de aula virtual não é mais um modismo, é uma condição urgente e implacável.
Não se trata mais de usar a tecnologia da comunicação automática como modismo, um adereço ou um “plus”. – Agora e por enquanto essa é a Escola.
Estudantes reclamam das dificuldades para acessar atividades via internet. Logo elas e eles que habitam o ciberespeaço, com seus memes, seus emojis, suas falas abreviadas, suas poses…
De repente querem as aulas presenciais que tanto recusavam. Querem de volta todo aquele blá-blá-blá dos professores. O que lhes falta mesmo? Por que não conseguem desenrolar?
Lá se vão 240 anos desde que Kant (Critica da Razão Pura) desvendou a questão do conhecimento: a centralidade está no sujeito que conhece e não no objeto que se quer conhecer.
Estudantes em geral e muitos professores e professoras ainda não deixaram a ficha cair: É o estudante que aprende aquilo que deseja; a mestra faz mediação, facilita, instiga, avalia, orienta.
Aqui se insere a discussão sobre as possibilidades e limites das tecnologias aplicadas à educação. As TICs vieram para ficar, mas não têm um fim em si mesmas, nem se impõem.
Somos nós, estudantes e professoras, todos aprendizes que imputamos à tecnologia o seu papel e utilidades na escola e na vida em geral. – Mas as TICs não ensinam nada, nós é que aprendemos.
As TICs são imprescindíveis. Mas insuficientes porque são apenas meios para a aprendizagem, criando facilidades, encurtando tempo e espaço, aguçando nossos sentidos, desafiando a razão.
A grande dificuldade no uso das TICs na escola precede a pandemia e o isolamento social: estudantes não assumirem o protagonismo escolar como leitores, pesquisadores, com autonomia.
Para todas as possibilidades e desafios postos, duas conquistas são urgentes: superar a exclusão social-digital; e cada estudante tornar-se leitor, torna-se leitora. – Ler é preciso!
