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SERRA BRANCA 2020: AS CONTRADIÇÕES SE AFLORAM

A política ideológica em Serra Branca se divide em três forças, sendo a maior de todas a dita “direita”, ou, se quisermos outro termo, as forças conservadoras. Não são liberais.

Aqui se aloja a imensa maioria dos mandatários, eleitos ou com o poder delegado pelos eleitos, além de uma parte dos derrotados nas urnas em 2016.

Vamos a eles: Vicente Fialho (Souzinha), Joda Zuza e Diógenes, Carlos Kleber, Hercules Holanda, Paulo Sérgio Araújo, Maria Valdete Bacica e Valber Pinto.

Sem mandatos nas hostes tradicionais ainda estão Flavio Torreão, Alda Dias e Reidrik Dias, Agostinho Nunes, Egberto Ferreira, Inácio Martins e Paulo Sergio Barros.

Esse conjunto de atores políticos representa entre 50% e 55% do eleitorado de Serra Branca se somarmos as votações das chapas encabeçadas por Souzinha e Flávio.

A segunda maior força política, autodenominada progressista e de esquerda está distribuída em três ou quatro partidos, sendo o PT, de longe o maior de todos.

Lideram a esquerda petista, Galeguinho, Cristina França, os vereadores Renan Mamede e Macilon Rafael, Ednaildo Saraiva, Rafael Maracajá e Zizo Mamede.

Mas o PT ganhou sangue novo, a exemplo de Daniele Gaudêncio e Lucia de Cássia, além de reforços veteranos como Gilmar Pereira e Marluce do Ligeiro.

Nos bastidores o PT anuncia uma grande renovação com significados femininos e juvenis com vários nomes, ainda não tão conhecidos, para a disputa na chapa proporcional.

Fora do PT avulta claramente o nome de Guilherme Gaudêncio do PDT, vereador com atuação destacada no município.  E, ainda recolhido, o ex-vereador Euwan do PMN.

Não temos informações sobre o Partido Socialista (PSB), um aliado histórico do Partido dos Trabalhadores e aparentemente desestruturado neste momento em Serra Branca.

Historicamente essa esquerda partidária representa entre 30% e 35% do eleitorado se tomarmos por base os resultados das eleições a partir de 1992.

Resta uma terceira força, uma não-força política que tem se mostrado cristalina e resiliente nas eleições municipais em Serra Branca: aqueles 15% que não votam em ninguém.

A grande contradição da “direita” é o racha em dois grupos, um encabeçado pelo prefeito Souzinha e pelo vereador Carlos Kleber, outro liderado por Joda Zuza e Flávio Torreão.

O PT denuncia veementemente que o prefeito, fragilizado e sem um nome forte para vice-prefeito, lançou mão de uma solução puramente eleitoreira: jogar pesado no empreguismo desenfreado.

O prefeito vai empregar cada vez mais pessoas sem concurso ou seleção publica, valendo-se da crise do coronavírus, mesmo sabendo que pode ser pego pela Justiça Eleitoral?

O grupo do vice-prefeito Joda Zuza e de Flávio Torreão, alojado no PSDB, mas com algumas figuras ainda no MDB, amarga uma dificuldade: o nome lançado não lidera a força política.

O vereador Hercules Holanda, com grande votação para apresentar-se, jogou a toalha e desistiu da cabeça da chapa. Implicitamente reconhece o tamanho político do vice-prefeito.

A grande contradição do chamado “Centrão” permanece: o vice-prefeito Joda Zuza, a maior liderança, que capitaneia todo o processo interno de alianças, não é o candidato a prefeito.

Já no autodenominado campo progressista há duas contradições: nem todos são de esquerda, a exemplo de Guilherme Gaudêncio e Euwan Oliveira, típicos liberais democratas.

Essa contradição não é, entretanto, um problema. Quem viu o ex-prefeito Zizo Mamede fazer uma aliança com o ex-deputado Pedro Medeiros sabe o que isto é cinismo político.

A maior contradição nas forças da esquerda com os liberais está na proposta de alianças: O professor Galeguinho e Guilherme Gaudêncio divergem sobre as alianças eleitorais.

Enquanto o esquerdista topa uma aliança com o PSDB de Joda Zuza e Flávio Torreão e mantém “a porta aberta”, o liberal refuta a aliança e não abre a porta. Dá para entender?

 

Sandoval Vieira

 

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