Sobre as eleições deste ano estão todos reticentes. Ninguém quer falar abertamente e alegam os mais variados pretextos. Porém, se é sobre os adversários as línguas ferinas se soltam.
Esta semana, um arguto observador da política local falou dos mais recentes mergulhos nas águas turvas da política eleitoral. E tem mergulho para todos os lados.
A Dra. Doralice Barbosa Torreão mergulhou, depois de segurar a luz para alumiar o nome do seu filho Flávio Torreão pelo triênio seguinte às eleições de 2016.
O ex-prefeito Zizo Mamede mergulhou. Até dá umas pancadas no palanque das redes sociais, muito mais sobre temas nacionais do que da contenda municipal.
Mas, voltaremos a essas eminências pardas noutra oportunidade porque o sumiço mais visível nestes últimos dias é o do vereador Carlos Kleber Ribeiro Barros, aliado do prefeito Souzinha. Eu particularmente não o vi mais.
Estão pendurando o débito do isolamento político do prefeito Souzinha na conta pessoal do vereador Carlos Kleber e este seria um dos motivos de sua inusitada ausência na primeira linha governista.
Desafetos políticos do vereador líder do governo na Câmara de Serra Branca ironizam que ele “só é o líder do governo porque a bancada do prefeito só tem ele mesmo”.
Outros reclamam de Kleber Ribeiro ter ido “com muita sede ao pote”, que se tornou secretário municipal e tirou bastante proveito político do governo em detrimento de outros aliados.
Apoiadores mais próximos de Souzinha lastimam “o erro cometido pelo prefeito de ter dado todo espaço para o vereador-secretário, e não ao vice-prefeito Joda Zuza”, agora adversário.
O mergulho momentâneo de Kleber Ribeiro não seria, portanto, efeito apenas do isolamento social por causa da Covid-19, mas pela culpa de deixar o prefeito desolado em mar revoltoso.
Fato é que em um município com as tradições políticas de Serra Branca, até hoje prevaleceram como moedas eleitorais, o favorecimento pessoal e os apoios políticos.
O PT, que faz a oposição ao prefeito e ao vice-prefeito, reclama que Souzinha só foi eleito porque prometeu milhares de empregos sem concurso para angariar votos, mas isto é meia verdade.
O grande número de apoiadores que o vice-prefeito Joda Zuza articulou para o candidato Souzinha pesou tanto ou mais do que as promessas de favores pessoais com o erário público.
Aliás, é inquestionável que na última eleição municipal o então prefeito Eduardo Torreão não segurou a rede de apoiadores no palanque do candidato oficial Flavio Torreão. Ficaram na lanterna.
Sem apoios políticos suficientes, nem o poder da caneta do mandatário e nem o poder econômico alcançam o eleitor. As relações pessoais são decisivas para transformar “favores” em votos.
Entretanto, para além do prejuízo eleitoral que o vereador Carlos Kleber teria causado ao prefeito Souzinha, há um outro dado: o comando político passou para um dos filhos do prefeito.
Agora, quem dá as cartas na política da prefeitura de Serra Branca não é nenhum secretário ou vereador, mas um cidadão sem mandato, que criva todos os atos do mandatário.
Visto assim, o prefeito Souzinha seria um inocente tutelado nas mãos dos prepostos. Um tolo, que largou o governo de Eduardo Torreão na hora oportuna, atraiu Joda Zuza e deixou o PT na poeira dos votos.
No cenário político com três candidaturas o prefeito está no páreo, ainda mais blindado pela família.
Sem mais para o momento, espere o próximo capitulo desse, quase isolamento social, da política serra-branquense.
Sandoval Vieira
